Aterramento

Execução de Aterramento Funcional: critérios técnicos e próximos passos

Entenda em quais situações este serviço pode ser necessário, o que precisa ser verificado e como a análise técnica orienta a decisão sobre execução de aterramento funcional.

Por Danilo Felipe · Atualizado em · 5 min de leitura

Execução de Aterramento Funcional: imagem ilustrativa 1
Imagem ilustrativa relacionada a execução de aterramento funcional. Foto: Pexels.

Em resumo: Execução de Aterramento Funcional deve seguir um projeto ou procedimento definido, com responsabilidades, testes e critérios de aceitação compatíveis com a instalação. A execução, isoladamente, não substitui a análise prévia nem a documentação necessária.

Atenção às referências: normas técnicas, regulamentos e padrões de concessionárias têm escopo e edições específicos. Antes de contratar ou executar, confirme a versão vigente e sua aplicabilidade ao local e à finalidade do trabalho.

O problema das falhas intermitentes na indústria moderna

Nas indústrias altamente automatizadas de hoje, poucos problemas geram tanta frustração e prejuízo financeiro quanto as falhas intermitentes.

Aquele robô que trava uma vez por semana sem deixar código de erro no supervisório, a esteira de envase que perde o sincronismo apenas quando um grande compressor entra em operação, ou a balança de dosagem que altera a pesagem por milissegundos, gerando lotes inteiros de refugo. A equipe de manutenção troca sensores, substitui cartões de CLP, reinstala cabos de rede, mas a falha misteriosamente retorna.

Para compreender por que isso acontece, é fundamental entender a diferença crucial entre as duas formas de aterramento que convivem dentro de uma instalação industrial:

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Imagem ilustrativa relacionada a execução de aterramento funcional. Foto: Pexels.
  1. Aterramento de Proteção (PE - Protective Earth): Seu único objetivo é a segurança de vidas humanas. Quando ocorre uma falha de isolação em um motor ou cabo de força, o PE conduz a corrente de curto-circuito para a terra em fração de segundo para que o disjuntor desarme, impedindo que a carcaça metálica eletrocute um operador.
  2. Aterramento Funcional (FE - Functional Earth): Seu objetivo é o funcionamento adequado e confiável dos circuitos eletrônicos. Ele fornece um referencial estável de tensão de zero volt para os semicondutores, escoa cargas eletrostáticas indesejadas e drena as correntes parasitas de alta frequência geradas por fontes chaveadas e inversores de frequência.

Quando o terra de sinal do seu CLP é conectado indistintamente ao mesmo barramento do condutor de proteção dos motores elétricos, o ruído elétrico violento das máquinas pesadas entra diretamente na eletrônica do controlador, causando estragos incalculáveis.

O mito perigoso do "terra dedicado isolado"

Quando um painel de automação começa a apresentar problemas, muitos instaladores sem embasamento de engenharia recorrem à pior solução possível: perfuram o piso da fábrica, cravam duas ou três hastes de cobre no solo e conectam o aterramento do painel exclusivamente nessas hastes, mantendo-o completamente separado do resto da edificação.

Essa prática é conhecida popularmente como "terra isolado" ou "terra dedicado de gaveta". Ela é terminantemente proibida pela ABNT NBR 5410 e extremamente perigosa.

Por que o terra isolado é uma armadilha fatal?

  1. Diferença de Potencial Destrutiva em Caso de Raio: Quando uma descarga atmosférica atinge o para-raios da fábrica ou as proximidades do prédio, a corrente de dezenas de milhares de ampères desce para a malha principal, elevando temporariamente o potencial da terra no local para milhares de volts. Se o CLP estiver conectado a uma haste independente a poucos metros de distância que permaneceu em zero volt, surge uma diferença de potencial instantânea de 10.000 ou 20.000 volts entre as duas terras. Essa sobretensão salta através dos cabos e pode danificar com prioridade todos os cartões eletrônicos da máquina.
  2. Risco Grave de Eletrocussão: Se um cabo de força encostar acidentalmente na carcaça de um equipamento e o aterramento estiver isolado e com alta resistência ôhmica, a tensão na carcaça pode subir para 127V ou 220V sem que o disjuntor desarme, transformando o painel em uma ameaça mortal para os operadores.
Execução de Aterramento Funcional: imagem ilustrativa 3
Imagem ilustrativa relacionada a execução de aterramento funcional. Foto: Pexels.

Esquemas de aterramento e a norma ABNT NBR 5410

A integridade dos sistemas eletrônicos sensíveis depende diretamente do esquema de aterramento adotado na distribuição elétrica da fábrica:

Esquema de Aterramento Como Funciona a Separação Recomendação para Automação Industrial
Esquema TN-S O condutor neutro (N) e o condutor de proteção (PE) são rigorosamente separados ao longo de toda a instalação
Esquema TN-C O neutro e o terra compartilham o mesmo condutor (PEN) Proibido para Automação. A corrente da carga circula pelo condutor de terra, corrompendo qualquer sinal analógico
Esquema TN-C-S Combinado na entrada e separado nos quadros secundários Aceitável com Restrições. Exige que a separação ocorra antes do primeiro quadro de alimentação de eletrônicos
Esquema TT O neutro da concessionária tem um aterramento e as massas da fábrica têm malhas independentes Exige Uso Obrigatório de Dispositivos DR. Pode ser aplicado com filtros eficientes de modo comum

Perguntas frequentes (faq) sobre aterramento funcional

Qual é a diferença entre aterramento de proteção e aterramento funcional?

O aterramento de proteção (PE) tem como finalidade exclusiva a segurança das pessoas, conduzindo correntes de curto-circuito para a terra para disparar disjuntores e evitar choques elétricos. Já o aterramento funcional (FE) destina-se ao funcionamento adequado de equipamentos eletrônicos sensíveis, fornecendo um referencial de tensão estável de zero volt e escoando ruídos eletromagnéticos de alta frequência.

Posso ligar o terra dos clps no mesmo barramento dos motores elétricos?

Não é recomendável. Quando motores de grande porte ou inversores de frequência acionam, eles injetam ruídos de alta intensidade e harmônicos no condutor de proteção. Se a eletrônica de controle compartilhar o mesmo cabo ou ponto de conexão sem filtros ou barramentos de equalização funcional dedicados (BEF), esses ruídos entram nas placas eletrônicas, causando travamentos e leituras errôneas.

O aterramento funcional pode ser uma haste isolada cravada separadamente?

Não. Cravar uma haste isolada para a automação sem interligação equipotencial com a malha da edificação é uma prática extremamente perigosa e proibida pela ABNT NBR 5410. Em caso de descarga atmosférica ou falha na média tensão, surge uma diferença de potencial violenta entre o "terra do CLP" e o "terra predial", queimando instantaneamente os cartões de comunicação e gerando risco de choque fatal aos operadores.

Quais são os esquemas de aterramento mais recomendados para automação?

O esquema TN-S (onde o condutor de neutro e o condutor de proteção são rigorosamente separados a partir da origem da fonte) é o padrão ouro recomendado pela NBR 5410 para plantas industriais e datacenters com alta densidade de automação, pois reduz a circulação de corrente de retorno pelo condutor terra.

Como definir o próximo passo

Reúna a exigência recebida, os projetos e relatórios existentes, informações sobre alterações recentes e o objetivo da demanda. Não abra quadros, faça medições ou se aproxime de partes elétricas para produzir esses dados.

A Felipe Engenharia pode analisar o contexto, indicar quais verificações são necessárias e delimitar o escopo adequado. A definição de projeto, laudo, responsabilidade técnica, acompanhamento ou execução depende do que for identificado e contratado.

Apresente sua situação à Felipe Engenharia

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Imagem ilustrativa relacionada a execução de aterramento funcional. Foto: Pexels.
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